O limo, o lume, as áleas protegidas
e a noite que chega
sem nos perguntar.
E se o jardim, súbita melodia
nas áleas a perder-se, só memória,
fosse afinal complacência muda
e o nosso grito o lume que defende as áleas
do peso de ser noite?
Mas quem arrisca um grito,
da vida que nos coube?
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
#47 - NOITE NOS JARDINS DA GULBENKIAN, Luís Filipe Castro Mendes
Etiquetas:
Luís Filipe Castro Mendes
terça-feira, 13 de setembro de 2016
#46 - CANÇÃO NOCTURNA (Reinaldo Ferreira [F.º])
Café de cais
onde se juntam
anónimos de iguais,
os ratos dos porões,
babel de todos os calões,
rio de fumo e de incontido cio,
sexuado rio,
que busca, único mar,
mulheres de pernoitar,
unge-te a nojo, não Anfitrite,
fina ficção marinha,
mas nauseabundo
e tutelar
o vulto familiar
da Virgem Vício,
Nossa Senhora do Baixo Mundo.
onde se juntam
anónimos de iguais,
os ratos dos porões,
babel de todos os calões,
rio de fumo e de incontido cio,
sexuado rio,
que busca, único mar,
mulheres de pernoitar,
unge-te a nojo, não Anfitrite,
fina ficção marinha,
mas nauseabundo
e tutelar
o vulto familiar
da Virgem Vício,
Nossa Senhora do Baixo Mundo.
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