terça-feira, 4 de abril de 2017

#56 - IN MEMORIAM, Eugénio de Andrade

(F.G.L.)

Noite aberta.
A lua
tropeça nos juncos.
Que procura a lua?
 raiz do sangue?
Um rio onde durma?
A voz delirando
no olival, exangue?
Sonâmbulo,
que procura a lua?
O rosto de cal
que no rio flutua?

quarta-feira, 8 de março de 2017

#55 - NOCTURNO, Eugénio de Andrade

Noite,
noite velha
nos caminhos.
A lua no alto
fingindo-se cega.
Estrelas. Algumas
caíram ao rio.
As rãs
e as águas
estremecem de frio.