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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

#52 - "Ah, a noite que eu, sem fim, passei...", Ibn Sara

Ah, a noite que eu, sem fim, passei...
O Tempo alargava a sua duração
E dava-lhe o cerne do que na vida amei.
Comentaram alguns, pela noite fora,
Como se ia escoando a sua mansidão.
Mas a noite somente consentia a aurora...

Das nuvens tão denso era o breu
Que já não se sabia o que era Terra ou Céu.
Ao longe o raio entre trevas se escondia:
Era um negro que entre lágrimas sorria.

Brandi alto o sabre da minha vontade
E tingi o manto dessa mesma aurora
Ao ferir o colo da escuridade
Com o sangue da noite, pela noite fora.


(versão de Adalberto Alves)

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

#48 - "Cai a noite.", Ibn Sara

Cai a noite.
     Sob o manto da sombra
     O braseiro é um bálsamo
     Que sara o aguilhoar
     Dos escorpiões do frio.
     Ardente, talhou as mantas,
     O nosso cálido abrigo
     Onde frio se não consente.

O incêndio na lareira
(Nós olhando fascinados
E a grande taça de vinho
Que vai passando em redor)
Mal nos permite a intimidade
E logo nos afasta.

É uma mãe,
     Que umas vezes nos amamenta
     E outra nos retira o peito.


(versão: Adalberto Alves)